13 de dez de 2010

Dr. Galvão tem quadro clínico grave descartado


É com imensa satisfação que informamos que o Dr. Galvão saiu do quadro grave e reage favoravelmente à intervensão cirúrgica realizada ainda ontem.  Ainda cedo soubemos que ele estava em coma induzido,  após a operação, mas em estado controlado, na UTI do Hospital João Lúcio. Segundo informações concedidas por sua filha, a neurologista Lourdes Galvão, não há motivos para que haja uma evolução no quadro de saúde dele, mas somente após o período crítico de 24 horas é que saberemos a extensão da lesão. Segundo Rogério Casado, psiquiatra amigo da família, as expectativas de que ele resistirá a esta violência são positivas.

Estamos torcendo em todos os momentos por sua recuperação, obrigada por todo o apoio daqueles que estão ao nosso lado torcendo e nos concedendo novas informações.

Notícia: http://acritica.uol.com.br/manaus/Manoel-Galvao-clinico-descartado-medico_0_388761153.html

12 de dez de 2010

Dr. Galvão hospitalizado


É com extremo pesar que informamos que neste sabádo, pouco tempo depois do encerramento da última palestra sobre Os Escritos Técnicos de Freud, o Professor Doutor Manoel Dias Galvão, coordenador e responsável por todos os projetos aqui relacionados, foi atingido por uma bala na cabeça, por motivos ainda desconhecidos, e se encontra em estado grave no Hospital Pronto Socorro Dr. João Lúcio, em Manaus.
Estamos  horrorizados com o acontecimento, em vista da barbárie e violência do ato contra um médico extremamente dedicado, em seus 64 anos, após tanto tempo de serviços prestados e comprometimento profissional. Expressamos aqui nossa indignação e nosso profundo lamento.

Aguardamos ansiosamente por notícias e pela urgente melhora do Professor Galvão.

9 de dez de 2010

Medicalização de Crianças

Seguem abaixo alguns vídeos sobre a medicalização de crianças e adolescentes, muitas vezes abusiva e errônea. Conflitos estes silenciados pela redução de questões sociais na doença de indivíduos.

- Vídeo de Helena do Rego Moneteiro sobre medicalização da vida escolar e sobre o II Seminário Regional de Psicologia e Direitos Humanos, que ocorreu em 2006 e teve como tema a medicalização da vida.
 - Discursso de Luiz Fuganti no CRP-EJ, em 29/03.

Ambos no seguinte Link; http://www.crprj.org.br/publicacoes/videos/  Pesquisar por nomes.

- Vídeo do Dr. Thomas Szaz denunciando a medicalização (CRP já tem versão com legendas em português)

6 de dez de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 04/12/10

ESTUDO DE CASO - ROBERTO

Em comparação ao CASO DICK, perbemos a grande diferença entre um caso de Autismo e um caso de Psicose. 

Considerações Iniciais

- Tudo gira em torno na expressão "o lobo!";
- Simbólico não é a linguagem, tem a ver com a palavra;
- Toda obra de Lacan gira em torno na função da palavra;
- Para ler Lacan é preciso manter certa distância, pois o homem só enxerga as coisas tomando tal distância das mesmas;
- Importante ressaltar que toda obra de Lacan visa repensar os textos fundamentais de toda obra psicanalítica;
- Freud chama a transferência de amor, mas é um amor às avessas;
- Você paga para ser amado, mas não pode ser amado;
- O neurótico puxa a realidade para a fantasia, o que não é possível para o psicótico;
- Lacan dá a palavra à Rosine Lefort, sua aluna, quem relata o caso de Roberto;

O Relato

- Roberto nasceu em 04/03/48
- Viveu até os três anos em mais de 25 diferentes lugares;
- Roberto viveu em hospitais, nunca foi adotado, nem conviveu em família;
- O pai é desconhecida e a mãe foi internada com diagnóstico de paranóica;
- Mãe ficou com ele até os 5 meses;
- Essa criança foi submetida à toda forma de violência e negligência;
- A mãe lhe faltou com alguns cuidados, à ponto de deixá-lo passar fome;
- Foi hospitalizado aos 5 meses, saiu aos 9 meses, devolvido quase à força para a mãe. Voltou para o hospital 2 meses depois, com desnutrição, quando foi abandonado em definitivo pela mãe;
- Isso é algo que acontece frequentemente com nossas crianças;
- Quando tinha 3,5 anos foi proposta uma internação pós estágio parapsicótico;
- Apresentava gritos frequentes, risos gulturais, só sabia dizer duas palavras "dona" e "lobo" (repetia a última o dia inteiro);

- O uso e esvaziamento do pinico chamavam muito a atenção. Não podia suportar as portas abertas, o grito das outras crianças, as mudanças de quarto;
- Comportamento violento e incapacidade de agredir;
- Lefort diz que não sabiam ao certo em qual categoria colocá-lo, mas tentavam um tratamento;
- Na fase preliminar (primeiro ano) ele repetia o comportamento de toda a vida (gritos, medo da mamadeira de leite, como se houvesse uma fobia, às vezes se aproximava a soprando, e medo da bácia d'água);
- Disse "mamãe" em face ao vazio (a mãe ausente);
- Numa noite, com uma tesoura de plástico, tentou cortar seu membro genital na frente das outra crianças. Vê-se aqui que ele está submetido a um princípio de destruição;
- Para saber o que quer dizer "o lobo!", é preciso relembrarmos sua história;

- Mudança de lugar, de quarto (uma destruição) -> portas abertas;
- Digestão e excreção -> mamadeira e pinico;
- Grande dificuldade em se livrar do cocô -> cena do pinico;
- Engolindo a destruição -> cena da mamadeira;

- O cocô é uma representação dele, ele não pode perdê-lo. 
- O problema primordial em Roberto é que NÃO há uma SEPARAÇÃO entre CONTINENTE e CONTEÚDO;
- Essa criança, como Dick, tinha muita dificuldade de passar da auto-destruição (violência) para a agressividade (agressão);
- Não consegue tomar posse do próprio cocô, pois não tomou posse da mãe. Não se diferenciou o continente (mãe) do conteúdo (ele);
- Todo tratamento visa passar de um estágio de violência para um estágio de agressão;
- O essencial é dar a entender que não se quer nada da criança, é preciso deixá-la livre para fazer o que quiser com os objetos;
- Essa criança tentava se diferenciar de seus conteúdos;

CONTINUA... (Próxima Aula)

Os Escritos Técnicos de Freud - Parte II





Frontispício
“Reflitam um instantinho sobre o real. É porque a palavra elefante existe na sua língua, e porque o elefante entra assim nas suas deliberações, que os homens puderam tomar em relação aos elefantes, antes mesmo de tocá-los, resoluções muito mais decisivas para esses paquidermes do que o que quer que lhes tenha acontecido na sua história – a travessia de um ri ou a esterilização natural de uma floresta. Só com uma palavra elefante e a maneira pela qual os homens a usam, acontecem, aos elefantes, coisas, favoráveis ou desfavoráveis, fastas ou nefastas – de qualquer maneira, catastróficas – antes mesmo que se tenha começado a levantar a direção a eles um arco ou um fuzil.” P.206 (LACAN,J.)

Programação
Parte II
1ͣ Aula: Sobre o Narcisismo
2ͣ Aula: A Báscula do Desejo
3ͣ  Aula: O Núcleo do Recalque
4ͣ Aula: Os Impasses de Michaël Balint
5ͣ Aula: A Função Criativa da Palavra
6ͣ Aula: O Conceito de Análise

Objetivos
1. Reintroduzir o registro do sentido
2. Introduzir o problema do ego e da palavra
3. Expor o caso de Roberto para abrir questões
4. Introduzir a questão dos dois narcisismos
5. Enfatizar a maneira pela qual o plano simbólico se liga ao imaginário
6. Afirmar e justificar que não há os escritos técnicos de Freud
7. Rediscutir a fórmula de Freud: “Lá onde isso estava, o eu deve estar”
8. Criticar o uso do termo associação “livre”
12. Discutir o conceito de análise
13. Considerar a noção do sujeito
14. A Significação da Palavra
15. Refletir sobre o Real

Desenvolvimento
“Pensar é substituir aos elefantes a palavra elefante, e ao sol um círculo. Vocês se dão bem conta de que entre essa coisa que é fenomenologicamente o sol – centro do que ocorre no mundo das aparências, unidade da luz – e um círculo, há um abismo. E mesmo se o franquearmos, que progresso há sobre a inteligência animal? Nenhum.
 Porque o sol enquanto é designado por um círculo não vale nada. Só vale na medida em que esse circulo é colocado em relação com outras formalizações, que constituem, com ele, o todo simbólico no qual tem seu lugar, no centro do mundo, por exemplo, ou na periferia, pouco importa. O símbolo só vale se se organiza num mundo de símbolos.” P. 256 e 257 (LACAN,J.)

Realização
CEP. HUGV
Coordenação de Ensino e Pesquisa
Contato: 3305 -4782

Investimentos
R$ 120,00 (ou R$ 20,00/aula): Estudante
R$ 240 (R 40,00 aula): Profissional
Emissão de Certificados com 75% de presença.

Informações
Marcelo Luna 82401089

Jéssica Pedrosa 93044186
Blog: psicanálise-na-cultura.blogspot.com
psicanalisesintoma.blogspot.com

Bibliografia
AGOSTINHO, Santos. De magitro. Santo Agostinho. Editora Vozes.
HARARI, Roberto. Discorrer a psicanálise. Artes Médicas.
LACAN, Jacques. Os escritos técnicos de Freud. Zahar Editor
FREUD, Sigmund. Introdução ao Narcisismo. Imago Editora
FREUD, Sigmund. O homem dos lobos. Imago Editora.
FREUD, Sigmund. A Psicologia das Massas e a Análise do ego. Imago Editora.
DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. O Anti-édipo. 34 Editora.
JACQUES, Alain MILLER, Jacob. Perspectivas do Seminário 23 de Lacan: O sintoma. Zahir Editora.

Apoio
Fabiane Aguiar, Paulo Almeida, Cláudia Santos e Astrid Caminha

Rua Lauro Calvacante, 250, Centro. Fone: 3232 -1373

4 de dez de 2010

Patrocínios & Colaboradores

Tanto o projeto A Criança Como Desafio, quanto o projeto Psicanálise na Cultura, ambos coordenados pelo Dr. Galvão, na Faculdade de Medicina do Amazonas, carecem de maior difusão e apoio financeiro para que seja possível a excelência dos atendimentos e atividades realizadas periodicamente. Pedimos, por meio deste, a colaboração de qualquer orgão ou empresa (ou interessados) que visam estabelecer uma ponte direta com a saúde pública e a Psicanálise, colaborando não somente com as dezenas de beneficiados pelos projetos, como também com a própria cultura e conhecimento a ser distribuído nessas áreas. Contamos com a sua participação.

Obrigada,

À equipe de apoio.

28 de nov de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 27/11/10

Aprofundamento do CASO DE DICK

- Dr. Galvão defende que Dick é autista e deixa um convite em aberto para que outros venham discutir sobre isso;

- Melanie Klein consegue distinguir Dick de todas as crianças neuróticas, pela falta de ansiedade aparente e ele olha a Melanie Klein como se fosse um móvel, o que é típico de um autista;

- Melanie Klein não distingue bem introjeção de projeção; 

- A Dra. Gélinier critica, durante o seminário, Klein, se espantando com suas posições;

- Em Dick, vemos bem que há ESBOÇO de imaginificação, se é que posso dizer isso, do mundo exterior. Lacan Página 99);

- Não há em Melanie Klein nem teoria do imaginário, nem teoria do ego. Pois tudo para ela se situa no unreal reality (num plano de igual realidade) o que não permite conceber, com efeito, a dissociação dos diferentes sets de objetos primitivos;

- Estamos com Dick ao nível do apelo. O apelo toma o seu valor no interior do sistema já adquirido da linguagem. Ora, o de que se trata é que essa criança não emite nenhum apelo. O sistema pelo qual o sujeito vem se situar na linguagem é interrompido ao nível da PALAVRA;

- Ao apelo humano está reservado um desenvolvimento posterior, mais rico, porque se reproduz justamente num ser que já adquiriu o nível da linguagem;

- A palavra não chegou a ele. A linguagem não envolveu o seu sistema imaginário, cujo registro é excessivamente curto - valorização dos trens, dos botões das portas, do lugar negro. Suas faculdades, não de comunicação, mas de expressão, estão limitadas a isso. Para ele, o real e o imaginário são equivalentes;

- A partir do Caso de Dick e utilizando as categorias real, do simbólico e do imaginário, mostrei-lhes que pode acontecer que um sujeito que dispõe de todos os elementos da linguagem, e que tem a possibilidade de fazer certo número de deslocamentos imaginários que lhe permitem estruturar seu mundo, não esteja no real. Porque não está? - unicamente porque as coisas não vieram numa certa ordem. A figura no seu conjunto está pertubada. Não há meio de dar a esse conjunto o menor desenvolvimento. Lacan Página 105);


PRÓXIMO SÁBADO - Discussão do Caso de Roberto.

22 de nov de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 20/11/10

Continuação do CASO DICK com a participação especial de Dinara Guimarães.

 - Melanie Klein afirma ver "sintomas típicos" de uma demência precoce (termo em desuso, atualmente psicose esquizofrênica), excluindo uma doença orgânica;
- A neurose foi descoberta (o que é correto);
- Contra o diagnóstico de demência precoce: o desenvolvimento comprometido, a inibição e não regressão, além da esquizofrenia ser extremamente rara no início da infância;
- Ainda assim, Klein insistiu neste diagnóstico, ampliando-lhe para toda a infância;
- Rising (surgindo) -> A ansiedade (um sinal);
- A criança projeta sua agressividade nos objetos, se sente ameaçada, então ocorre a ansiedade;
- Todo o problema de Dick gira em torno da capacidade de simbolizar;

Nesse seminário, Lacan confunde a realidade (construída) com o real, dizendo que Dick vive na realidade.

"El vit dans realité." Pg. 82 

- Klein não construiu uma teoria do ego, do imaginário, etc., mas reconhece-se sua grande ousadia de falar com essa criança;
- Klein emprega o termo pré-maturação para dizer que Dick já atingiu, de algum modo, o estágio genital (como os kleinianos explicam isso?);
- Dick não assume, não pode estar no estágio genital;
- O trabalho de Klein gira em torno do sadismo como fundamental para o desenvolvimento de toda fonte de prazer genital;
- No caso de Dick, tal capacidade (o sadismo) não estaria bem desenvolvida;
- Lacan contradiz o que disse na pg. 82 falando que para Dick a realidade está bem fixada, pois ele não pode fazer idas e vindas;
- O VAZIO E O PRETO (o que Dick distingue);
- Hiância -> produzir o que é humano;
- Dick diz "poor Melanie Klein" ao vê-la com uma roupa um pouco despedaçada e nisso se encerra a resistência;

A TÓPICA DO IMAGINÁRIO

- Título ambicioso;
- Evoca o caso de Dick como sintetizável, pois mostra de maneira reduzida os grandes termos (imaginário, simbólico, real);
- Lacan confunde o registro da realidade com o real;
- Lacan desenvolve esses três trópicos, remetendo-se ao caso Dick;

O importante não é só compreender, mas não compreender e buscar pela compreensão (o que conta ao tentar se elaborar uma experiência);

- A dimensão do real suscita a incompreensão;
- "Comentar um texto é como fazer uma análise", diz Lacan;
- Interpretar e compreender não é muito a mesma coisa;
- Às vezes o texto dá impressão de que se sustenta, mas apenas à custo de ladainhas (maturação instintiva);
- O simbólico não é a linguagem;
- O eixo do imaginário -> temor ansioso;
- Modelo Ótico -> diverisdade de imagens;
- No gráfico de Freud o termo correto seria impressão e não percepção;
- Em matéria de ótica nunca sabemos a diferença entre o subjetivo e o objetivo;
- O arco-íris é um fênomeno subjetivo quando registrado em foto se torna objetivo;

Considerações de D. Guimarães:

Quando convidada a participar da palestra, principalmente para responder às críticas observadas pelo Dr. Galvão ao Seminário I, de Lancan, D. Guimarães foi muito clara ao relatar todas as condições do material publicado, incluindo a situação limitante pelo próprio modelo de seminário, e demais motivos que podem ter levado Lancan a tais possíveis falhas de compreensão. 
Dinara cita o fato de que as transcrições da obra podem ter sofrido muitas modificações, além disso, faz uma comparação com alguns escritos não oficiais dos seminários que a mesma possui, e afirma suas diferenças, propondo que alguém faça esse minucioso trabalho de comparação, afim de abrir luz à muitas dúvidas frequentes de tradução e transcrição, como tanto expõe o Dr. Galvão ao dizer que é preciso deter a cópia na língua original dos exemplares, mas não somente. 
Dinara também explica a aplicação do Modelo Ótico, tudo isso sob um agradável clima de debate com Dr. Galvão e demais participantes da palestra. Agradecemos a sua participação e deixamos em aberto o convite para mais momentos como esse.

Psicanálise & Cinema - Inauguração


Na manhã de sábado do dia 21 de novembro de 2010, foi realizado o evento de abertura  (Manhã Cultural Padre Luiz Ruas) do projeto PSICANÁLISE & CINEMA, supervisionado pelo Prof. Dr. Galvão, na Faculdade de Medicina (UFAM). 
Quem foi o Padre Ruas?
Cinéfilo, Padre e Poeta, Luíz Ruas beneficiou a sociedade amazonense com sua contemplação a arte e culto ao inovador.  O Projeto “A Psicanálise e o    Cinema” inaugura suas atividades  homenageando Luiz Ruas e apresentando um espaço de lazer e cultura aos estudantes e sociedade amazonense em geral

Como foi o evento?

O evento homenageou a memória e o ímpeto pioneiro deste ousado cidadão manauara que prestou suas habilidades criativas à constituição da identidade cultural Amazonense. O encontro objetivou discutir enredo e cenas acerca do filme erguendo questionamentos em geral sob a abordagem da Psicanálise e Psicologia, bem como, das diversas áreas do conhecimento concernentes às ciências humanas.

Participação especial de Dinara M. Guimarães

Importante presença na Manhã Cultura foi a de Dinara Machado Guimarães, Psicanalista e Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ; autora dos  livros em psicanálise e cinema: Voz na luz e Vazio Iluminado: o olhar dos olhares.

Dinara participou inclusive, com relevantes contribuições, do projeto Psicanálise na Cultura, no sábado à tarde do mesmo dia, onde foram debatidos alguns possíveis equívocos de Lacan e, ainda, o caso Dick, de Klein.

Confira mais no próximo tópico específico do mini-curso Os Escritos Técnicos de Freud.

16 de nov de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 13/11/10


A DIMENSÃO SIMBÓLICA

- Toda percepção remete para uma percepção anterior;
- Para "denegar" é preciso antes afirmar (há uma estreita ligação entre ambos);

Ernst Kris e as graves entraves em seu trabalho intelectual

- Ele tem a sensação de ser um plagiário;
- Apesar da dificuldade de produzir, ele declama que toda sua tese já estava em sua biblioteca;
- Seu pai nunca publicou nada porque era esmagado por um avô que produzia muito;
- O analista não deve fazer uma pretensa análise de superfície, proposta por Kris;
- Não se faz interpretação baseada no comportamento do sujeito;
- A interpretação é válida, mas é importante ver como o sujeito reage a ela;
- O sujeito produz um "acting out", o que é produto de uma interpretação mal feita;
- O que interessa é extinguir a dimensão simbólica;
- Kris está entre o símbolo e o eu;
- É muito difícil conceber um eu autônomo, pois ele está sempre em função de outras instâncias;
- Lacan diz que "o eu é uma função de desconhecimento";

O CASO DICK

- Artigo de Klein: "A importância da formação do símbolo no desenvolvimento do eu", 1930;
- Ela considera que é preciso um certo nível de ansiedade para a construção de símbolos e fantasia (mas também se contradiz dizendo que o sujeito já nasce com essa capacidade);
- Dick não apresenta ansiedades; um caso de inibição do desenvolvimento do ego (não havia simbolismo);

"Dick tinha quatro anos de idade e pobreza de vocabulário, estava no nível de uma criança de quinze a dezoito meses." Klein

- Dick possivelmente era autista; não demonstrava muitos afetos, era indiferente à presença da mãe e da babá, não brincava, não tinha interesses, emitia ruídos;
- Klein utilizou um método brutal de intervir em Dick, através de trenzinhos, mas apesar dessa brutalidade, o método funcionou, pois fez Dick adentrar no simbolismo;
- Toda a teoria de Klein é em cima do corpo da mãe e do ataque de Dick a ele;
- Klein sabe que não se trata de uma esquizofrenia, mas se confunde ainda assim. A psicose é adquirida, o autismo não; a criança já nasce predisposta;
- O esquizofrênico possui alto nível de ansiedade, é angustiado (ao contrário do autista);

[CONTINUA] Próximo sábado.

11 de nov de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 06/11/10


RESISTÊNCIA (continuação)

Toda comunicação tem intenção de apoiar-se no outro;
- Resistência se dá em movimento de báscula, tendo como enfoque se relacionar com o desejo;
O que é o ego na Psicanálise?

- Se constitue nessa relação essencialmente diferente da Psicologia, onde ele é função de síntese, passível de se conhecer;
- Para a Psicanálise o ego exerce função de desconhecimento. Ele é passional, apaixonado pela ignorância; 
- Ego é lugar do desconhecimento por ser constituído por identificaçoes;
- O sonho tem função de palavra;
- O sistema simbólico é caracterizado pelo entrecurzamento linguístico (verschlungenheit);
- Só existe análise devido a ambiguidades;
- Denegação (verneinung), Freud, 1925;
- Simbolização primordial;
- O símbolo somente vem através da pulsão de morte;
- A palavra é a morte da coisa;
- Lacan faz questão de mostrar que a atuação de Freud não constitui uma luta contra resistência e que ele era completamente contra a "tirania da sugestão";
- Só há destinção entre as coisas devido a negação. Trabalho descompensado pela pulsão de morte;
- A inteligência humana brota a partir do afeto;
- A Psicanálise recupera o mito: a gênese da inteligência e do afeto é explicada pela Psicanálise de forma mítica;
- Negar é mais do que querer destruir - o negado vai aparecer;
- É preciso haver negação da negação para que o sim apareça. É pela negação que o símbolo vem ao mundo;
- Quando não há castração no simbólico ocorre alucinação no corte do real (pois não é feita a simbolição primordial);

10 de nov de 2010

Informativo: Psicanálise e Sintoma

Está no ar o novo Blog do Dr. Galvão sobre a Psicanálise e o Sintoma. Com publicações sobre o Sintoma e Casos Clínicos diversos.

http://psicanalisesintoma.blogspot.com/

E estamos a procura de pessoas interessadas a ajudar no projeto.

5 de nov de 2010

Informativo - Próximo Sábado


 No mini-curso Os Escritos Técnicos de Freud, no sábado do dia 06/10/10, a temática RESISTÊNCIA continuará sendo abordada, devido a sua grande importância, frequência e complexidade dentro do contexto clínico, como bem ressaltado por Lacan. 

No sábado do dia 13/10/10, aula posterior, será discorrido o CASO de DICK e o erro presente neste, de Melanie Klein, e faz-se aqui um convite aos Kleinianos para participarem da discussão.

2 de nov de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 30/10/10


O Eu e o Outro - vide aqui os assuntos abordados na palestra do dia 30/10/10, ainda dentro do mini-curso à respeito do Seminário I, de Lacan.

A presença

- Normalmente não nos damos conta da presença do outro;
- Não seria fácil viver se a todo instante tivéssemos o sentimento de presença;

A relação de transferência e resistência

- No caso do homem dos lobos, há um mecanismo diferente da do recalque, pois seu problema gira em torno da castração;
- O psicótico é prisioneiro de uma relação anal, Lacan traduz "verwerfung" por "recusa", o que não é correto, uma vez que o fenômeno no caso é muito mais grave;
- "Uma recusa é algo diferente de uma foraclusão";
- Não há julgamento na recusa;
- Para Freud, a operação do recalque é mais complicada do que o próprio recalque inicialmente exigido;
- Recalque originário (que possibilita a castração) -> quando a criança abre mão do amor da mãe tomado pelo pai;
- A essência da descoberta Freudiana existe na origem do recalque;
- É na dúvida do paciente que se reconhece os aspectos mais importantes;
- É muito difícil interpretar o louco porque ele vive em certeza;

Análise do "esquecimento" de Freud

- A impossibilidade que encontra Freud ao evocar o nome de Signorelli (nem esquecimento nem recalque);
- Freud e a identificação com a pintura de Signorelli; O Juizo Final (é como se Freud reconhecesse seu próprio futuro na pintura);
- "Do sublime ao ridículo não há mais que um passao", do francês "Du siblime au ridicule il ny'a s'u un pas."
- Só há memória porque existe o esquecimento;
- Guy Rosalato produziu uma obra muito recomendada sobre esse episódio de Freud;

As funções da palavra

- A resistência é a dificuldade de revelar;
- Lacan ignora a distinção entre "palavra" e "morfema";
- Na análise a palavra se degrada quando perde a função de revelação para a função de comunicação;
- A palavra é a mediação entre o sujeito e o outro;
- Revelação e não expressão (ponto máximo do Seminário I), pois ao longo da análise a palavra bascula entre essas duas coisas;
- Não existe palavra plena;
- É o próprio analista quem cria as condições de resistência do paciente;

30 de out de 2010

AVISO: palestra do dia 30/10/10

Em decorrência das aleições do dia 31/10/10, a Faculdade de Medicina não poderá ser utilizada como sede habitual de nossas palestras. Visto isso, especificamente a palestra do dia 30/10/10 será realizada na casa do Dr. Galvão. Participantes interessados em obter o endereço, favor ligar para os seguintes números: (92) 3656-0993 / 3238-2668 / 3088-0333 / 3656-0692

À organização.

24 de out de 2010

Os Escritos Técnicos de Freud - 23/10/10

Notas do dia 23/10/10


O EU E O OUTRO

- Lacan recomenda abster-se de qualquer relação de ego à ego;
- É necessária a presença de um terceiro termo;
- Estado Pseudo-maníaco: o problema fundamental não é o analista cometer um engano, mas o manejo inadequado de seus sentimentos;
-  Nunca se diz que o analista não pode ter sentimentos por seu paciente, o que ele não deve é ceder à isso;
- O que há de mais grave é o uso da técnica de colocar toda a concentração no presente do paciente, deixando de lado o passado;
- O erro está em separar a técnica de seus fundamentos;

"O analista acredita que é autorizado a fazer, nesta técnica, uma interpretação de ego à ego." Lacan cita e se opõe terminanentemente.

- Há interpretações que são tão justas e verdadeiras que podem não corresponder à verdade, ou seja, à real raiz do sintoma;

RELAÇÃO ENTRE RESISTÊNCIA E DEFESA

- Foi na Interpretação dos Sonhos (cap. 7) que Freud deu a primeiraa definição, em função da análise, de resistência;
- "Was immer die Fortsetzung der Arbeit stört, ist ein Widerstand." Tradução: tudo o que destrói, suspende, altera a continuação do trabalho (analítico);


Mas, de onde vem a resistência?

- Nada indica que ela venha do "eu". A resistência é concebida como algo que se produz do lado consciente, à medida que se aproxima de algo que foi recalcado;

O que foi orinalmente recalcado?

- O passado e sempre o passado;

O HOMEM DOS LOBOS

O que é o trauma?

- O trauma é uma noção extremamente ambígua. O trauma é um auto-traumatismo, pois o que traumatiza é a repetição do ato feita pelo próprio sujeito;
- O trauma geralmente provém da resignificação da experiência que foi vivida no passado da presente;
- O evento passa para segundo plano, mesmo não havendo nada o sujeito pode fantasiar o ocorrido;
- O homem dos lobos não lembra, mas sonha, a partir dos sonhos, Freud reconstrói a cena primária;
- O passado é uma reconstituição feita a partir do presente;
- Cena Primária: os fazendo sexo anal quando ele tinha dois anos;
- A Gestalt mostra que você nunca percebe todo o elemento, apenas partes deles;
- A análise colocou o centro da gravidade no sujeito;
- A questão proposta é "qual o sujeito do discurso?"

19 de out de 2010

Fatos recentes

Colocamos aqui nossa indignaçao frente aos últimos fatos ocorridos na Faculdade de Medicina.

Inicialmente, é preciso deixar claro que historicamente buscamos trabalhar o ensino na cadeira de clínica psiquiatrica de forma a facilitar o enlace entre teoria e prática, onde os alunos atendem e acompanham individualmente os pacientes e realizam supervisão e orientação com professor responsável pela turma. Deste modo, buscamos propiciar qualidade ao ensino e à vivência da clínica psiquiátrica, bem como o atendimento responsável e de qualidade aos pacientes envolvidos no processo de aprendizagem dos acadêmicos.

Fazemos isso baseados no principio da Singularidade, desenvolvido muito bem no Seminário I de Lacan – Os Escritos Técnicos de Freud – (1983. p.21), segundo o qual se deve apreender cada caso em sua singularidade, onde a reconstituição completa da história do sujeito é o elemento central, constitutivo, estrutural do processo analítico. Neste sentido, defendemos que a essência da clínica psiquiátrica está no que há de singular, de único, marcado pelas significações e pelos sentidos atribuídos por cada sujeito a cada vivência particular sua.

Como é possível, portanto, fazer um acompanhamento único, individual e singular de cada relato de caso de cada aluno se nos é imposto que seja ministrada aula prática com atendimento de pacientes para 16 alunos em 2 horas de aula? Como se pode primar pela qualidade do ensino em uma Universidade Federal quando os próprios mestres estão muito mais preocupados com a quantidade cumprida no semestre?

O que se vivencia no cotidiano universitário são tentativas de resolver com emendas mal feitas os erros que há muito foram deixados de lado, são medidas emergenciais que não resolvem o problema em si, mas apenas impedem que um sintoma se manifeste.

Neste momento acreditamos que é hora de refletir: Que perfil de profissionais é este proposto pela universidade? Qual a qualidade que estamos propiciando aos nossos alunos? Será a qualidade percebida apenas nos altos coeficientes “obtidos”?

É hora de refletirmos estas questões e fazermos nossas proposições de melhorias, e, principalmente, LUTARMOS pelas melhorias que pensamos ser necessárias e primordiais para a formação de profissionais éticos, responsáveis, críticos e conscientes da importância de seu papel social.

Para isto, pedimos o apoio daqueles que lerem esta postagem e concordarem com nossas indignações e questionamentos, tendo em vista que estamos encetando uma batalha contra o autoritarismo, a ignorância administrativa e a desconsideração pela história profissional e atuação em extensão de professores que estão de fato preocupados com a banalidade que está tomando conta do contexto médico e universitário.
Assim, aqueles que quiserem deixem suas assinaturas em forma de comentário neste post que se baseia numa postura ética.

17 de out de 2010

Aliança Francesa

 Uma das colaboradoras do Projeto Psicanálise na Cultura, é a escola Aliança Francesa que através do estudo do francês vem trabalhando na propagação da cultura como um todo nesta região. Por entremeio de diversas palestras, seminários e exposições, tem contruibuído de forma significativa para o incentivo não só à arte, mas às ciências e ao saber popular.



Razões para estudar francês?

O Francês no mundo

  O Francês é falado em 56 países nos 5 continentes
   Mais de 78 milhões de turistas  visitam a França todos os anos.
   O Francês é uma das línguas oficiais da cultura, do turismo, da ciência e da tecnologia, dos negócios, da gastronomia e da diplomacia.  

O Francês nos estudos

  O Ensino superior na França é gratuito. Existem vários programas de bolsas para estudar na França.
  Cerca de 10% dos estudantes na França são estrangeiros.
  Os diplomas do ensino superior francês são válidos em toda a Europa.
  Algumas das melhores universidades brasileiras já assinaram acordos de duplos-diplomas com universidades francesas. 

O Francês nos negócios

  Cerca de 1 milhão de funcionários trabalham para empresas que utilizam a língua francesa no Brasil.
  Mais de 600 empresas de língua francesa estão aqui instaladas.
  O governo do Quebec no Canadá oferece oportunidade para profissionais de nível técnico ou universitário .
  A França é um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil .

O Francês na formação cultural

Aprender francês amplia o universo cultural em vários aspectos: história, cinema, artes plásticas, literatura, turismo, gastronomia, design, ciência política e relações internacionais. 

* As seguintes razões foram reproduzidas do site oficial d'Aliança;

CONTATO:

ALIANÇA FRANCESA DE MANAUS
RUA LAURO CAVALCANTE 250,
CENTRO, MANAUS, 69020-230
FONE: 3232 1373
www.aliancafrancesamanaus.com
www.afmanaus@internext.com.br

Os Escritos Técnicos de Freud - 16/10/10

Notas do dia 16/10/10

A palestra tratou, em especial, sobre a Resistência. Dentre os aspectos mais relevantes podemos destacar:

Análise é uma experiência do particular. Não há neste sentido, ao contrário do que muitos psicanalistas pensam, um método padrão na psicanálise. Cada analista assume em cada situação o método que mais for conveniente para o sucesso analítico.


RESISTÊNCIA

- Acerca da resistência, o conceito levantado foi de que sempre que se entra em contato com algum conteúdo conflitivo com o qual na maioria das vezes o sujeito tem conteúdos não elaborados ocorre a

- Ela se torna mais forte ao passo que a análise aprofunda-se em temas que supostamente apresentam conflitos.

- Isso não quer dizer que o paciente é inimigo da análise, ao contrário, a resistência permite ao analista perceber os objetos de conflito.

- Ela aparece sempre em ligação com o Ego;


CONTRATRANSFERÊNCIA

- É a função do Ego do analista, trata-se da soma de todos seus preconceitos

- Análise busca reconquistar (pelo menos em parte) a realidade autentica do inconsciente pelo sujeito.

Sobre formulações de Freud Sobre o Ego:

- Temos que não há uma única teoria do teórico sobre Ego, e sim uma formulação que se adéqüe a cada caso estudado;

- É válido esclarecer que a Psicanálise representa um rompimento com a Psicologia Clássica e qualquer tentativa de aproximá-las não é psicanálise, e sim Psicologia do Ego.

- Sendo esta última a que usualmente é transmitida nas universidades com a nomenclatura de Psicologia Psicanalítica, ou mesmo Psicanálise. O que corresponde na verdade, a um desvirtuamento da Psicanálise.


Sobre PSICANÁLISE, Lacan faz uma análise das analises, falando sobre analise inquisitorial

- Foi a primeira a perceber o sujeito em conflito com ele mesmo;

- Trata-se de uma técnica que respeita o Sujeito;

- Nesta perspectiva foi feita a leitura de um caso descrito por Annie Reich em um artigo de sua autoria. No escrito esta elucida sobre contratransferência, relatando provavelmente uma “análise didática”.

- Foi feita uma discussão sobre o erro que a tal analista (de renome, diga-se de passagem) cometeu ao interpretar um fato relativo ao paciente com conteúdos seus, uma interpretação de Ego a Ego.

- Na verdade, a interpretação deve sempre apontar para a falta.


PRÓXIMA AULA:

- O eu e o outro;

- Trataremos sobre um esquecimento muito significativo de Freud durante uma de suas intervenções. O esquecimento de Signoreli, episódio no qual ele está impicado;

15 de out de 2010

A Criança como Desafio - 15/10/10


Relato do dia 15 de outubro.

Hoje foram realizadas* diversas atividades com as crianças participantes do supracitado projeto, tais como: contar histórias, registros de desenhos, pinturas e, principalmente, a terapia lúdica, através de brincadeiras e diálogos.

As atividades pedagógicas têm o objetivo de propiciar às crianças o desenvolvimento das diversas  áreas que envolvem a linguagem oral, visual, escrita, corporal, artística e, sobretudo, a interação do grupo. Neste sentindo as crianças participaram com entusiasmo das atividades propostas, demonstrando uma resposta positiva aos aspectos trabalhados. 

* Dados fornecidos pelas estagiárias do projeto.

Os Escritos Técnicos de Freud - 09/10/10

A aula inicial do novo curso intitulado Os Escritos Técnicos de Freud teve como intuito fazer a introdução ao estudo do Seminário I do Lacan homônimo ao curso.

Podemos, portanto, fazer um levantamento de conjecturas masi relevantes da aula (09/10/10).

- A discussão levantada durante a aula cuminou na conclusão de que não existe diferença entre análise didática e análise terapêutica, pois toda análise é didática;
- Freud não cria nada, a não ser a partir de uma dificuldade da clínica;
- Existe, porém, a possibilidade de o analisando ao fim da análise indentificar-se com a posição do terapeuta, com uma possível posição masoquista e interessar-se em tornar-se analista, porém o ponto crucial da análise é tornar o sujeito capaz de sutentar o diálogo do analista;
- O Id não corresponde a um puro dado objetivo;
- O domínio do Super Ego é para fazer com que o outro se adeque a minha linguagem;
- O que sustenta a ordem do Superego é o amor;
-  Não existe "auto-análise";

Sobre o termo seminário, Lacan define que: aqueles que dele participam devem trazer mais que um esforço pessoal, uma colaboração que pressuponha uma comunicação. Dentro desta perspectiva, podemos perceber que não é assim que se estabelece a vivência de "Seminário" no contexto universitário da UFAM.

Em relação aos Escritos Técnicos, é dado o conceito de palavras usadas (palavra gasta).
Em Alemão: Klein Neurosen Schrifle. (Pequenos escritos sobre neurose).
Vale ressaltar que não é a técnica que une esses escritos, a técnica e a teoria estão sempre articuladas.

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Próximo Sábado - Dia 16/10 - Aula sobre RESISTÊNCIA, uma aspecto muito relevante na clínica psicanalítica.

7 de out de 2010

Notas: Figuras da Recusa - Estudo de Casos

Nas últimas cinco aulas do curso Figuras da Recusa, encerrado no dia 02/10/10, foram abordados relatos de Penot, em sua obra homônima ao curso, sobre alguns casos clínicos que figuram a temática. A seguir, um breve resumo dos principais aspectos de alguns deles, ressaltando a importância de certas constatações.

Caso Jeanne

- A maior dificuldade de Jeanne era reconhecer o seu sexo, pois seu pai não conseguia lhe transmitir um representante paterno suficientemente coerente.
- A recusa é um não admitir, uma "inadmissão".
- Quando há estranheza é muito possível que haja a recusa.
- No caso de Jeanne, quando há problemática com seu pai, há problemática com a língua materna dele.
- Formou o ideal de ser loira e não possuir pêlos púbicos.
- A análise não pode ter um ideal.
- A queixa da histeria se refere à insatisfação com o pai.
- Freud confunde* ideal do ego com superego:
*O ego ideal é imaginário, já o ideal do ego projeta o sujeito para o futuro, sendo simbólico, fundamental na análise. Suscita o conflito de identidade "o que você quer ser?". A carência paterna causa grandes problemas em sua construção. Enquanto que o primeiro superego, provido pelas relações iniciais do casal parental, propicia a recusa, remetendo à realidade.

Caso Martin

- Limítrofe
- Pôde construir um mito individual, após a confissão da mãe, fundamental para a construção de um narcisismo saudável.
- A mãe é intérprete, tradutora do desejo paterno.
- A mãe deve pensar sua própria falta (desejar o pai, pois o filho não é suficiente).
- Em Hamlet (cena 4, ato 4), "O que é isto? Um rato?" elegida por Penot como a cena mais trágica da peça (com a morte de Polônio), Hamlet demonstra uma depreciação inconsciente da figura paterna.
- Se o desejo do pai não for reconhecido retornará como estranheza (figura estranha ou maléfica).
- Psicanalistas erram muito ao enfatizar a função maternante da mãe (princípio do prazer), mais importante é a função de intérprete (princípio do desprazer).
- A mãe não pode estar todo tempo à disposição do filho.
- "Não poderia ser traumático para uma criança o que é psiquicamente traumático para mãe." Penot
- Só existe Psicanálise quando o psicanalista se torna herdeiro da função de intérprete desse desejo.

Caso Paul
- O que é um delírio?
O sujeito vive para o delírio. Paul sofria de uma produção imaginária incoercível, onde julgava ser Ivan Rebrov, que era um cantor popular de canções russas do início do séx. XX, entre elas, Les yeux noires (os olhos negros).

- Quando surge o delírio?
Havia uma espécie de condensação imaginária. Ele se confunde com continente e conteúdo. A precipitação de uma condição alienada, onipotente, relativamente rara em uma criança de sete anos. 

- Por que se deve restringir o delírio? 
O delírio preenche uma falha, supre e reconstitui algo que o sujeito não pôde adicionar a sua história. Repousa na ideia de que o delírio tem função de suprir um problema interno do sujeito, mas o domina e o impede de aprender, realizar outras coisas.

- Por que Paul delira?
Para entender o delírio, recolhe-se informações na família. Paul tenta com o delírio, resgatar um passado que a família condena  e recusa. O delírio de Paul é a denúncia da própria recusa.

- Como se trata um psicótico?
É errado tratá-lo como se fosse este um neurótico. É preciso demonstrar a falha preenchida pelo delírio. Para tal, delírio não é fantasia. Ele se vê forçado a delirar. O delírio não faz sentido. Ele vem no lugar da falha simbólica que tem o sentido já ausente. Na psicose há uma trava. O objetivo do tratamento é recuperar a dimensão simbólica. Ex-existir é situar-se fora da relação com o outro.

5 de out de 2010

Relato de Experiência Pessoal - Projeto A Criança Como Desafio.

Estar em um projeto de extensão em que se visa à atenção a crianças com sofrimento psíquico decorrente de transtornos biopsicossociais, é bastante enriquecedor tanto no âmbito intelectual quanto no âmbito pessoal.

A atuação na extensão possibilitou o acesso ao saber psicanalítico e clínico através de duas maneiras, uma com os textos sugeridos para leitura pelo coordenador e outra com os atendimentos grupais e individuais realizados no ambulatório, essas duas práticas se complementam, tendo em vista que é impossível desvincular a teoria da prática, é somente por meio da prática que se pode refletir de forma crítica e contextualizada a teoria ora estudada.



A extensão abrange, além da relação dentro dos grupos terapêuticos, o acesso a toda a dinâmica hospitalar que envolve relações interpessoais entre os funcionários, técnicos e pacientes, o funcionamento institucional e burocrático dentre outros fatores. Deste modo, atuar na extensão nos sugere a adoção de um olhar segundo um modelo biopsicossocial que assim como a abordagem holística busca observar o indivíduo em todos os sistemas com quem interage (familiar, social, biológico, psicológico...) simultaneamente e com interrelações constantes entre elas. A extensão consiste em acesso ao campo prático e as diversas variações do campo profissional, no caso em questão, o ramo da psicologia clínica ou psicologia hospitalar sugiram como possibilidades de escolha profissional posterior, seja como campo de pesquisa ou de atuação. Deste modo, o projeto contribui com a formação acadêmica de seus alunos ampliando o leque de possibilidades e promovendo a qualificação e boa formação de profissionais. 

Com esse trabalho é possível detectar precocemente os distúrbios de linguagem, dificuldades de desenvolvimento relacionadas à socialização, à aprendizagem e à aquisição de autonomia, psicoses de infância, tanto das formas típicas como das formas atípicas. É possível também a percepção de que a utilização dos medicamentos muitas vezes é desnecessária e que uma vez suspensos, somente com terapia contínua, as crianças alcançam uma melhora inquestionável. Observa-se que essas crianças muitas vezes passam por um comprometimento na linguagem, no seu plano verbal, por estarem sujeitas a uma passividade que os medicamentos lhes sugerem, anulando a criação do seu próprio desenvolvimento.

Com a participação contínua no grupo terapêutico, as crianças acessam progressivamente o convívio social, o discurso e a fala; sabendo que a fala constitui uma via de acesso ao inconsciente e aos conflitos nele existentes, a interpretação e compreensão desta favorecem a resolução de conflitos que, de algum modo, interferem no desenvolvimento psíquico da criança.

Porém, apesar do bom funcionamento e das melhorias alcançadas no decorrer de um ano de extensão, há ainda muitos aspectos que poderiam ser melhores e propiciar uma maior eficácia e eficiência às ações do projeto. Entre estes fatos, podemos destacar a inadequação do espaço onde ocorrem os grupos semanalmente, trata-se de um consultório ambulatorial de dimensões demasiado pequenas para comportar um grupo de crianças em atividades; outro fator se refere aos escassos recursos para a compra de material, que ficou sempre a cargo dos discentes, dependendo de doações ou investidas de outro projeto de extensão que gera renda (Psicanálise na Cultura) e por fim, um atendimento em abordagem psicanalítica fica sempre prejudicado quando se realiza atravessado pelo funcionamento de uma instituição, na situação da extensão, esbarrava-se por diversas vezes no funcionamento burocrático da instituição, seja para marcar e remarcar atendimento, seja para ter acesso aos prontuários dos pacientes e até mesmo para ter disponibilidade de espaço para a implementação das atividades; eventos que atrasavam e muitas vezes prejudicavam as ações.


Fernanda Priscilla P. da Silva
Acadêmica de Psicologia